Cátia de França apresenta cantorias em show no Rival

Publicada em 16/12/2008 às 10h38m
O Globo

RIO - Integrante do movimento musical que revelou artistas nordestinos como Zé Ramalho, Fagner e Alceu Valença, a cantora e compositora Cátia de França se apresenta nesta terça (16.12) no Teatro Rival.
Assista ao clipe das músicas "Geração" e "Rio Capibaribe"

Cátia apresentará o repertório de seu último disco, "Hóspede da Natureza", gravado num estúdio caseiro na cidade de São Pedro da Serra, no interior do estado do Rio, onde a cantora vive desde 2006.

A compositora começou sua carreira musical no Rio, no final dos anos 1970, quando teve canções gravadas por outros cantores nordestinos, como Amelinha e Xangai. Hoje, porém, poucos cariocas conhecem seu trabalho.

- Aqui o povo não liga o nome à pessoa, apesar de conhecerem músicas minhas, como "Kukukaya" e "Coito das araras". No Nordeste, a gente tem público certo. Não adianta ficar naquele. Tem que vir para onde as cobras estão criando (risos).

Além das canções mais recentes, Cátia incluiu no roteiro do show uma série de cantorias do Pantanal, como "Antoninha, me leva" e "Coisas que eu canto", que ela interpretará ao lado do parceiro Xangai.

Acompanham a cantora os músicos Marcelo Bernardes (sopro), Léo Palma e Jacaré (percussão) e Sérgio Chiavazolli (guitarra).

Cátia de França @ Teatro Rival. Rua: Álvaro Alvim, 33/37 Cinelândia. Ter, às 19h30m. R$ 30 e R$ 20 (os 150 primeiros pagantes)

=============================================================

Jornal O Dia
18/11/2008 01:31:00

Tia Surica tempera o samba

Pastora da Velha Guarda da Portela, famosa pela feijoada, celebra aniversário em show no Rival
Julio Biar

Rio - Iranete Ferreira Barcellos,uma senhora de voz potente e cozinheira de mão cheia, moradora de Oswaldo Cruz, resolveu comemorar seu aniverário em grande estilo, rodeada de amigos. “São 68 anos bem vividos”, diz Iranete, mais conhecida pelo apelido que ganhou da avó na infância: Surica.

Em show no Teatro Rival, hoje, às 19h30, a tia mais famosa da Velha Guarda da Portela vai reunir os companheiros Monarco, Dona Ivone Lara, Beth Carvalho e Marquinhos de Oswaldo Cruz — “Alexandre Pires e Jorge Aragão ficaram de aparecer”, entrega. E ela promete esticar os festejos. “Ontem fiz apenas uma ‘jantinha básica’ lá em casa, hoje tem o show e, dia 29, um feijão na Cidade do Samba”, anima-se.

Seu feijão, aliás, leva centenas de pessoas à quadra da Portela, no primeiro sábado de cada mês um sucesso seguido pelas co-irmãs. “A idéia é minha, da (pastora) Áurea , da Cristina (Buarque) e do Marquinhos da Oswaldo Cruz. Começamos com 250 pessoas no bar da Tia Vicentina. A Portela era um gigante adormecido, hoje em dia a quadra está bombando ”, lembra a sambista.

Também responsável pelo renascimento do ‘Trem do Samba’, Marquinhos acompanha a carreira da cantora. “São poucas as pessoas que colocam tanto sentimento quando cantam. A voz da Tia Surica é inconfundível, assim como a do ‘Seu’ Monarco”, derrama-se.

Acompanhada pelo Grupo Semente e pelo maestro Paulo 7 Cordas, a aniversariante promete cantar sucessos como ‘Quantas Lágrimas’, de Manacéa, ‘Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida’, o hino azul-e-branco de Paulinho da Viola, e ‘Ditado Certo’, de Monarco.

A admiração pelo companheiro da Velha Guarda faz a pastora brincar. “É igual à Portela: se eu for falar de Monarco, hoje eu não vou terminar”, diz, parodiando o samba ‘Passado de Glória’, clássico do compositor. “Surica tem um passado digno, chegou a puxar o samba-enredo ‘Memórias de um Sargento de Milícias’, em 1966”, retribui Monarco, lembrando a vitória portelense embalada pela voz da pastora.

Em 2004, Tia Surica lançou seu primeiro disco solo e quer repetir a experiência. Enquanto não volta aos estúdios, ela divide seu tempo entre o samba e a culinária. “Não tem ciência, tudo o que você faz com amor, a tendência é dar certo”, ensina.

=============================================================

OUTUBRO 31, 2008 - NOTAS MUSICAIS


Machete se equilibra no trapézio do ecletismo

Resenha de Show
Título: Bomb of Love
- Música Safada para Corações Românticos
Artista: Silvia Machete
Local: Teatro Rival (RJ)
Data: 30 de outubro de 2008
Cotação: * * * 1/2
Foto: Mauro Ferreira

Prestes a lançar o CD e DVD Eu Não Sou Nenhuma Santa pela gravadora EMI Music, Silvia Machete está encerrando a série de shows calcados em seu primeiro independente disco, Bomb of Love - Música Safada para Corações Românticos, editado em 2006. Cultuada na cena indie carioca por conta do caráter performático de suas interpretações, Machete sobe literalmente no trapézio e consegue se equilibrar no ecletismo de um roteiro que vai de Roberto e Erasmo Carlos (Gente Aberta, bem-sacado lado B) a Sérgio Sampaio (Foi Ela), passando por Guns N' Roses (Sweet Child of Mine). A propósito, o tema de Axl Rose e Slash foi rebobinado em dueto com o talentoso Momo na apresentação única agendada pela cantora no Teatro Rival e feita na noite de quinta-feira, 30 de outubro - com direito a uma peruca azul posta na cabeça de Momo e a um ventilador manuseado pela intérprete.

É sintomático, aliás, que o roteiro inclua Girls Just Want to Have Fun, o sucesso de Cyndi Lauper. No palco, Machete é uma cantora que parece querer somente diversão. E, sim, ela diverte com seus bambolês e com as performances acrobáticas. Contudo, Machete consegue entreter sua platéia não somente pelo fato de lançar mão de truques circenses, mas por se mostrar uma cantora afinada e de universo bem original. Ao subir no trapézio, a propósito, a cantora entoa lá do alto 2 Hot 2 Be Romantic, parceria sua com Nick Jones que soa como um clássico da canção americana da primeira metade do século 20. Quando canta Curare (Bororó) cheia de dengo, bem acompanhada pelo violão de Edu Krieger, Machete se mostra apta a vôos musicais mais altos - ainda que ela soe especialmente talhada para um repertório que se preste mais a um tom jocoso e sensual. Nessa linha, Eu Não Tenho Namorado - pérola juvenil do repertório de Celly Campelo (1942 - 2003) - é um achado e ganha registro gracioso da artista. Comunicativa, Silvia Machete tem sobrenome que rima com chacrete - como a própria, perspicaz, ressalta em cena - e mostra que sabe comandar o seu auditório ao vivo e em cores quentes e sensuais como o vermelho que adorna o cenário kitsch. Nem era preciso recorrer a tantos convidados. Machete, por si, garante a atenção do público.
posted by Mauro Ferreira at 10:28

=============================================================

Virgínia amarra show camerístico com laço afro

Resenha de show
Título: Recomeço
Artista: Virgínia Rodrigues
Local: Teatro Rival (RJ)
Data: 16 de outubro de 2008
Cotação: * * * * 1/2
Em cartaz até sábado, 18 de outubro de 2008, às 19h30m

Quando se aventura a encarar uma interpretação a capella de Por Toda Minha Vida, no bis do show de lançamento de seu quarto CD, Recomeço, Virgínia Rodrigues já nem consegue surpreender a platéia, pois, no decorrer do recital, a cantora baiana já havia mostrado tantas interpretações arrepiantes como a do bis que o público, embora embevecido, já nem fica impactado diante do virtuosismo vocal da artista. Já soa até natural tanta beleza e força naquela voz projetada na peça Bai Bai Pelô, encenada em 1994 pelo Bando de Teatro Olodum, do qual saiu também o ator Lázaro Ramos, uma das presenças vips da estréia nacional do novo show de Virgínia, na noite de quinta-feira, 16 de outubro de 2008, no Teatro Rival, no mesmo palco onde a cantora se apresentou pela primeira vez no Rio de Janeiro, em 1997, para lançar seu CD de estréia, o luminoso Sol Negro, infelizmente já tirado de catálogo.

Em cartaz até sábado, 18 de outubro, o show Recomeço segue obviamente a estética camerística do recém-lançado disco homônimo, mas sem reproduzir exatamente o som ouvido no álbum. Prmeiro, porque o pianista que gravou o CD com Virgínia e fez os arranjos, Cristóvão Bastos, não integra o trio que acompanha a cantora em cena. Cabe no show ao igualmente virtuoso Itamar Assiére assumir o piano e assinar os arranjos calcados no instrumento. Segundo, porque a cantora amarra o roteiro com o laço afro que caracteriza seu canto operístico que transita na fronteira entre o lírico e o popular. A ponto de o show ser encerrado (antes do bis) com quente afro-samba, Labareda, adornado pela percussão refinada de João Bani e acompanhado (no refrão) pelo público enquanto a cantora ensaia uns passos de dança pelo palco. Labareda vem do repertório do CD anterior da artista, Mares Profundos (2003), do qual a cantora pesca também o Canto de Xangô e o Canto de Ossanha, este numa interpretação absolutamente arrebatadora que (re)afirma a total propriedade de Virgínia ao se apoderar dos afro-sambas de Baden Powell (1936 - 2000) e Vinicius de Moraes (1913 - 1980). É dela!!!

Extrapolando o repertório do CD Recomeço, a cantora apresenta também uma sublime Melodia Sentimental, pouco antes de realçar toda a melancolia contida em Hora da Razão, um dos sambas nobres do repertório do compositor baiano Batatinha (1924 - 1997). Contudo, Virgínia Rodrigues não nega as liberdades estéticas e estilísticas testadas em Recomeço ("Cada disco é um desafio", confidenciou em cena, na estréia). Emoldurada ora pelo toque do violoncelo de Iura Ranevsky, ora pelo piano de Assiére, ou mesmo pelos dois, a voz de mezzo-soprano da cantora passeia lírica e majestosa por músicas como Alma, Canção de Amor, Todo Sentimento, Beatriz (destaque do show, como no disco) e Boa Noite, Amor - todas regravadas no CD que a gravadora Biscoito Fino acaba de pôr nas lojas. Pena que, ainda insegura com as músicas mais difíceis, como Triste Baía da Guanabara e Porto de Araújo (a propósito, duas apropriadas sugestões de Olivia Hime, diretora artística da Biscoito Fino), Virgínia Rodrigues precise ler as letras das composições enquanto as canta. Mas isso é detalhe pequeno de um show de grande beleza que merece ser apreciado.

 

=============================================================


Tributo a Waly Salomão no Rival: 'Quem fala de mim tem paixão'

O Globo Online
Leonardo Lichote
24/9/2008

Retrato 'familiar' durante o ensaio para o show / Foto Leonardo Aversa"Nada que se aproxima nada me é estranho

Fulano sicrano e beltrano

Seja pedra seja planta seja bicho seja humano"

Os versos de "Olho de lince", na voz do próprio autor Waly Salomão, abriram o tributo (Adriana Calcanhotto preferiu chamar de "visita") ao poeta nesta terça-feira no Rival. Hoje, quarta, tem de novo. Recomendo.

As palavras da abertura ecoam ao longo do show. "Nada me é estranho". Não apenas pelos versos - que cortam e costuram lúdico e lúbrico, sentimentalismo e cinismo, instinto e cultura. Mas sobretudo porque, na estréia, ficaram marcadas para mim, mais que as semelhanças, as diferenças entre aqueles artistas reunidos em torno de Waly: Jards Macalé, Calcanhotto e VulgoQinho & Os Cara (banda que tem entre seus integrantes Omar Salomão, filho do homem). O poeta era a intersecção possível entre eles - não a única, claro, mas talvez a mais forte.

Adriana:

- Waly me deu muito, mas o mais importante foi um Macalé e um Omar.

Macalé:

- Sorte sua que ele só deu um de cada.

"Fulano sicrano e beltrano". O violão masculino (agressivo até quando terno) dele, o violão feminino (frágil na forma, mas contundente) dela - tudo era Waly. Assim como VulgoQinho & Os Cara, (quase) sempre. A banda deu um vigor, hmmm..., jovem - difícil escrever isso sem pensar no personagem do Chico Anysio falando "pô, mão, sou xovem", mas acho que a palavra é essa mesma - à obra do homenageado. Jovem, mas não ingênuo, com seus grooves quebrados, guitarra cheia de texturas etc. Bateu mal no meu ouvido só a leitura de "Juízo final", de Nelson Cavaquinho e Elcio Soares - um belo exemplo de descompasso entre canção e interpretação, uma leitura de quem não faz a mínima idéia do que são aqueles versos, aquela melodia. Como o grupo, de uma forma geral, o vocalista Qinho se saiu bem no encontro com Calcanhotto e Macalé. Tem boa voz e estilo, mas muitas vezes o segundo parece pesar mais na balança - e o abuso de dicção arrastada, repleta de (muitas aspas) """""""carioquice""""""" não ajuda.

Mais uns comentários soltos:

- "Anjo exterminado" e "Anjo exterminado" são duas canções completamente diferentes - uma na voz de Calcanhotto, outra na de Macalé. As duas ótimas

- "Cobra coral" tá bonita. Assim como "Real Grandeza", "Dona de castelo", "A fábrica do poema", "Vapor barato"...

- Calcanhotto cumpriu sua promessa e fez uma música inédita sobre poema de Waly, "Motivos banais reais". Googlando, achei uma referência sobre uma versão musicada feita por Caetano Veloso. Mas não descobri mais nada.

- O final - todos perdidos, meio sem saber o que fazer no palco enquanto rolava a gravação de "Ponto de luz" - foi bem anticlímax

***

Abaixo, como foi ontem (terça). Hoje (quarta) deve ser por aí também:

Voz de Waly declamando "Olho de lince"

Macalé e VQ&OC

"Olho de lince"

"Negra melodia"

"Mal secreto"

Macalé

"Revendo amigos"

"Real Grandeza"

Macalé e Calcanhotto

"Dona de castelo"

"Anjo exterminado"

"Teu nome mais secreto"

Calcanhotto

"Remix século XX"

"A fábrica do poema"

"Motivos banais reais", com participação de Omar

Calcanhotto e VQ&OC

"Cobra coral"

VQ&OC

Omar declama "Barroco"

"Bom dia"

"Juízo final"

"Soubesse cantar"

VQ&OC, Macalé e Calcanhotto

"Vapor barato"

Vídeo de Waly cantando "Vingança"

--- BIS ---

VQ&OC, Macalé e Calcanhotto

"Ponto de luz"

***

Vindo para a redação, ouvi "Queda" (de Luciano Salvador Bahia) no rádio, na voz de Celso Fonseca. Conheço também na gravação de Marcia Castro e, toda vez que ouço a música, sorrio e penso o mesmo: que canção fantástica! Sobretudo quando chega o verso "Viver é perigoso".

 

====================================================

Jards Macalé homenageia o poeta Waly Salomão em show no Rival

O Globo Online

RIO - Seis anos após a sua morte, o poeta Waly Salomão será homenageado na terça-feira e na quarta-feira no palco do Rival Petrobras. A noite será conduzida por um dos principais parceiros musicais de Waly, o cantor Jards Macalé, e terá a participação de Adriana Calcanhotto. Omar Salomão, filho de Waly, recitará poemas do pai acompanhado por sua banda, Vulgo Qinho & Os Cara.

Entre as canções selecionadas para o show, estão alguns clássicos da música brasileira compostos pela dupla Waly-Macalé, como "Vapor Barato" e "Mal Secreto". Macalé, que dedicou seu penúltimo disco "Real Grandeza" ao amigo, quer evitar que a noite ganhe um tom triste ou nostálgico.

- Prefiro não falar em tributo, porque isso tem um significado meio esquisito. O que vamos fazer é "visitar" o Waly. Ele está vivo através de sua obra, que é muito poderosa. Onde está Waly? Amanhã ele vai estar lá no palco do Rival.

O show será aberto por Macalé e Vulgo Qinho, que cantarão o a música "Negra Melodia". Em seguida, o anfitrião cede o palco para Adriana Calcanhotto e a banda convidada. A cantora mostrará ao público uma poesia de Waly, musicada por Adriana especialmente para o show. Ouça a faixa "Anjo Exterminado, gravada por Adriana Calcanhotto e Jards Macalé.

- Este show será uma espécie de encontro de amigos, algo intimista. Acho que esse clima de homenagem não tem muito a ver com a noite, disse Omar Salomão.

Omar pretende cantar, também, algumas poesias de suas autoria, como "Soubesse cantar", que após virar música, tornou-se um dos maiores sucessos de sua banda. Além disso, foram incluídas no repertório do show algumas canções de Waly feitas em parceria com outros compositores, como "Cobra coral", musicada por Caetano Veloso.

 

=============================================================

Jards Macalé e Adriana Calcanhotto em tributo ao poeta Waly Salomão

JB Online

RIO - O cantor e compositor Jards Macalé foi convocado para prestar uma homenagem a um saudoso parceiro e amigo: o poeta, compositor e produtor Waly Salomão, um importante nome da cultura brasileira.

Macalé irá se juntar a Omar Salomão, filho de Waly, e contará com as participações especiais de Adriana Calcanhotto e a banda VulgoQinho & Os Cara, para um espetáculo recheado de clássicos da produtiva obra desse artista.

O encontro de gerações que promete emocionar e ficar na história da MPB acontece nesta terça e quarta, às 19h30, no Teatro Rival, que fica na Rua Álvaro Alvim, 33, Cinelândia.

Anterior>>