Cozza põe corpo e boa voz a serviço de seu dom


Resenha de show
Título: Quando o Céu Clarear
Artista: Fabiana Cozza
Local: Teatro Rival (RJ)
Data: 16 de setembro de 2008


Já ao entrar em cena, ao som de uma saudação afro cantada a capella, Fabiana Cozza parece magnetizar a platéia. No caso, a que foi ao Teatro Rival (RJ) na noite de terça-feira, 16 de setembro de 2008, para ver o show de lançamento do segundo álbum da intérprete, Quando o Céu Clarear, editado em 2007. Ao sair de cena, ao som de uma empolgante versão de Malandro Sou Eu, o samba que cantou em dueto com Maria Rita na gravação de seu primeiro (ainda inédito) DVD, em 30 de maio de 2008, Cozza deixa na platéia a certeza de estar diante de uma das melhores cantoras surgidas nesta década. Com forte presença de palco, Cozza é do tipo de intérprete que canta também com o corpo. E o samba é seu dom, como afirmou no título de seu primeiro CD, editado em 2004. E é o samba que domina o roteiro. Ora com sutis dissonâncias (como em Não Sai de Mim), ora quase transformado numa balada (como em Tendência, cujo arranjo e interpretação ganham intensidades crescentes). Mas sempre samba - e do bom...

Um apoteótico Canto de Ossanha - cheio de quebradas, nuances, trechos a capella e coreografias especiais - se impõe como o primeiro grande momento do show. Aliás, Fabiana Cozza parece dominar o palco. Seja rodopiando, como em Xangô te Xinga, tema valorizado pelo suingue latiníssimo do pianista Edson Sant'anna. Seja fazendo suas coreografias ensaiadas, como em Agradecer e Abraçar, um grande momento do CD Quando o Céu Clarear que se repete no show. Além da voz calorosa, Cozza também é mestra nas divisões. É de tirar o fôlego o duelo travado por sua voz com o pandeiro do percussionista Douglas Alonso no samba Coisa Feita, de João Bosco e Aldir Blanc. Outro grande momento!!

Como a cantora contou em cena, ela se apresenta no Rio de Janeiro (RJ) desde 2004. Inicialmente no Bar do Alfredinho, no bairro de Copacabana. Ultimamente, e com mais regularidade, na casa Trapiche Gamboa. Foi para festejar a acolhida do público na casa da Gamboa que Cozza recrutou um naipe de músicos virtuosos - entre eles, o trompetista Silvério Pontes e o violonista Rogério Caetano - para fazer um set à moda do Trapiche, com Onde a Dor Não Tem Razão (Paulinho da Viola e Elton Medeiros) e Me Deixa em Paz (Monsueto). Apesar dos problemas de som deste bloco, ficou evidente o prazer da cantora de partilhar o palco com seus músicos e de abrir espaço para os improvisos deles. No fim, já com sua entrosada banda reconduzida ao palco, Fabiana Cozza cantou O Samba É meu Dom, a obra-prima da parceria de Wilson das Neves com Paulo César Pinheiro. E ninguém na embevecida platéia (que não lotou o Teatro Rival) duvidou de seu grande dom.

posted by Mauro Ferreira at 00:43

 

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