HISTÓRICO DO PRÊMIO RIVAL PETROBRAS DE MÚSICA
Dentro da filosofia que personaliza o trabalho desenvolvido por Angela Leal a frente do Teatro Rival, incentivando os talentos em fase de sedimentação de carreira, reverenciando os valores tradicionais da música popular brasileira que não aparecem freqüentemente na mídia e privilegiando os trabalhos independentes, o Prêmio Rival Petrobras de Música foi criado em 2002 e, após seis versões, pôde consolidar o seu conceito, quebrando paradigmas, abrindo um importante nicho artístico e cultural para nossa música e, principalmente, angariando o respeito e a confiança da crítica, da classe artística e, sobretudo, do público ao imprimir um perfil diferenciado à premiação. que privilegia a produção de nossa música popular de qualidade realizada por selos e gravadoras genuinamente brasileiras.
O Prêmio faz homenagem a cada ano a um artista, que por diferentes razões tenha desempenhado papel de destaque no cenário musical brasileiro, mas cuja obra, ainda que amplamente conhecida pelo público, não tenha seu nome a ela identificado ou recebido o merecido pleito.
Destaca os artistas que por opção pessoal ou ideológica trabalham na pluralidade da música brasileira em sua essência, chamando a atenção do público para a qualidade da produção da MPB, que vem se desenvolvendo paralelamente ao que está estabelecido como padrão pela grande indústria fonográfica.
O Prêmio tem, portanto, o caráter tanto de incentivo quanto de reconhecimento à resistência cultural. É um aval do Rival ao trabalho competente desenvolvido por artistas que valorizam a diversidade de nosso cancioneiro, o que caracteriza circunstâncias que favorecem a execução do projeto.
1.
● O Primeiro Prêmio Rival Petrobras de Música homenageou Humberto Teixeira, o “Doutor do Baião”, em um show que mostrou a saga de Humberto em ritmo de baião, com as participações de Carmélia Alves, Elba Ramalho, Fagner, Gilberto Gil, Lenine, Rita Ribeiro, Sivuca, Zeca Pagodinho, Cordel do Fogo Encantado e uma banda formada por Wagner Tiso, Marcos Nimrichter, Lula Galvão, Jorge Helder, André Buxexa, Robertinho Silva e outros. A direção geral foi de Tulio Feliciano e a musical de Wagner Tiso.
INDICADOS:
Categoria Cantor/Cantora: Zezé Gonzaga – Sou Apenas Uma Senhora Que Canta - Biscoito Fino; Elza Soares – Do Cóccix Até O Pescoço– Maianga; E Zé Renato – Memorial: Wagner Tiso E Zé Renato - Karup Discos; Categoria Cd: Sinfonia Do Rio De Janeiro De São Sebastião – Francis Hime – Biscoito Fino, Áfrico – O Brasil Resolveu Cantar - Sérgio Santos – Biscoito Fino; E Samba É Minha Nobreza - Biscoito Fino; Categoria Grupo Musical: Nó Em Pingo D’água - Domingo Na Geral – Lumiar; Cordel Do Fogo Encantado – Rec Beat; E Itiberê Orquestra - Pedra Do Espia- Caravelas; Categoria Compositor : Nei Lopes - De Letras & Música – Caravelas; Guinga - Cinema Baronesa – Caravelas; E Francis Hime – Sinfonia Do Rio De Janeiro De São Sebastião – Meus Caros Pianistas – Biscoito Fino; Categoria Instrumentista: ( Trabalho Instrumental) Quarteto Maogani - Rob Digital; Paulo Sérgio Santos Trio – Gargalhada - Kuarup Discos E Hamilton De Holanda- Caravelas; Categoria Produtor Artístico: Paulinho Albuquerque – Meninos Do Rio –Caravelas; Claudio Jorge - Coisa De Chefe – Caravelas; E Hermínio Bello De Carvalho – Samba É Minha Nobreza – Biscoito Fino; Categoria Resistência/Registro: Riachão – Humaneochum-Caravelas Discos; Jongo Da Serrinha – Independente E Marcelo Vianna – Teu Nome,Pixinguinha – Biscoito Fino; Categoria Atitude: Gravadora Biscoito Fino; Escola De Música Zeca Pagodinho E Gravadora Karup.
Os premiados – Cantora - Elza Soares; Melhor CD - Áfrico: o Brasil resolveu cantar; Grupo - Cordel do Fogo Encantado; Compositor - Guinga; Trabalho Instrumental - Paulo Sérgio Santos Trio; Produtor Artístico - Hermínio Bello de Carvalho; Resistência / Registro - Jongo da Serrinha; Atitude - Escola de Música de Xerém e Grande Homenageado para 2003 - Jamelão. O corpo de jurados foi formado por Fred Góes (presidente), Geraldinho Carneiro, Moraes Moreira, Sérgio Cabral e Tárik de Souza.
2.
● O Segundo Prêmio Rival Petrobras de Música homenageou Jamelão, o cantor símbolo das noites brasileiras, contando sua história nos salões de baile da Era de Ouro, na obra de Lupicínio Rodrigues, do qual é o melhor intérprete, pelo samba de seresta e no carnaval da Mangueira. Elza Soares, As Gatas, Dominguinhos do Estácio, Luiz Melodia, Nana Caymmi, Zeca Pagodinho e Zélia Duncan participaram do show de premiação ao lado de uma banda formada por Itamar Assieri, Carlinhos Sete Cordas, João Faria, Márcio Almeida, Zeca do Trombone, Nilton Rodrigues, Humberto Araújo, Camilo Mariano, Beloba e Bira Show. A direção geral foi de Tulio Feliciano e a musical do maestro Ivan Paulo.
Os jurados que escolheram os premiados – Cantor - Jair Rodrigues; Cantora - Luciana Souza; Melhor CD - Cenas Brasileiras; Grupo Musical - Pedro Luís e a Parede/Monobloco; Compositor - Zeca Baleiro; Instrumental - Paulo Moura; Produtor Artístico - Maurício Carrilho; Revelação - Tereza Cristina; Aclamação - Walter Alfaiate e Grande Homenageado para 2004 – Monsueto.
3.
● O Terceiro Prêmio Rival Petrobras de Música homenageou o saudoso compositor, cantor e artista plástico Monsueto. O show de premiação reuniu uma das primeiras cantoras a gravar uma música do homenageado - Elza Soares, além das cantoras Sandra de Sá e Mart’nália. A banda foi formada por Ary Bispo, Beloba, Bira Show, Carlinhos 7 Cordas, Dirceu Leite, Fernando Merlino, João Faria, Jorge Gomes, Jussara, Márcio Hulk. O show teve a direção geral de Tulio Feliciano e musical do maestro Ivan Paulo.
Indicados:
CANTOR: Ed Motta, Marcos Sacramento e Zé Renato; CANTORA: Mônica Salmaso, Zélia Duncan e Luciana Souza; CD: Zé Miguel Wisnik (Pérolas aos Poucos), Luiz Carlos da Vila (Benza, Deus) e Maria Bethânia (Brasileirinho); GRUPO MUSICAL: Quarteto Maogani, Trio Calafrio e Banda de Pífanos de Caruaru; COMPOSITOR: Zé Miguel Wisnik, Luiz Carlos da Vila e Paulo Cesar Pinheiro; TRABALHO INSTRUMENTAL: Paulo Moura (Estação Leopoldina), Hermeto Paschoal (Mundo Verde Esperança) e Dominguinhos, Sivuca e Oswaldinho (Cada um Belisca um Pouco); INSTRUMENTAL SOLO - Humberto Araújo (Choro Criolo), João Carlos Assis Brasil (Todos os Pianos) e Armandinho (Retocando o Choro); PRODUTOR ARTÍSTICO: Maria Bethânia, Paulão 7 Cordas e João de Aquino; ATITUDE: Guilherme de Brito, Inesita Barroso e Dona Edith do Prato; TRIBUTO / RESISTÊNCIA / RESGATE: Miúcha canta Vinícius & Vinícius, Noite Ilustrada e Ao Jacob, seus Bandolins; e REVELAÇÃO: Mombojó, Adyel Silva e Wanderley Monteiro.
Tárik de Souza, Haroldo Costa, Sérgio Cabral, Antonio Carlos Miguel, Geraldinho Carneiro, Lirinha e Fred Góes formaram o júri que escolheu os premiados – Cantor - Zé Renato; Cantora - Zélia Duncan; Melhor CD – Brasileirinho - de Maria Bethânia; Grupo Musical - Quarteto Maogani; Compositor - Luiz Carlos da Vila; Grupo Instrumental - Hermeto Paschoal - Mundo Verde Esperança; Instrumental Solo - Armandinho em Retocando o choro; Produtor Artístico - Paulão 7 Cordas; Atitude - Inesita Barroso; Tributo / Resistência / Resgate - Ao Jacob, seus bandolins; Revelação - Adyel Silva; Aclamação - Guilherme de Brito e Grande Homenageado para 2005 - Hermínio Bello de Carvalho.
4.
● Uma noite em que a música foi a grande estrela. Assim foi marcada a data de 04 de outubro de 2005, quando aconteceu a entrega do 4º Prêmio Rival Petrobras de Música, no Teatro Rival Petrobras, no Centro da Cidade Maravilhosa. A partir das 19 horas a Rua Álvaro Alvim e a Praça da Cinelândia foram tomadas por saltimbancos, músicos e toda sorte de brincantes, no tradicional formato das festas de rua. Todos homenageando o poeta Hermínio Bello de Carvalho. Em plena praça seus poemas foram declamados, suas canções cantadas nas mesas dos bares entre rodas de samba e rodas de choro. A festa teve direito a um telão instalado e cerca de 300 cadeiras em plena Cinelândia para que o público pudesse assistir a premiação de 14 categorias da música brasileira em transmissão simultânea.
Com a direção de Tulio Feliciano, foi realizado “Um Sarau para Hermínio”, que contou com as participações de nomes consagrados da MPB, como: Alaíde Costa, Dona Ivone Lara, Elton Medeiros, Nilze Carvalho, Zélia Duncan e Zezé Gonzaga. O Sarau foi dividido em cinco momentos: Momento Cartola (A Mangueira como uma das referências cariocas do poeta); Momento Elizeth (As cantoras/musas do poeta, tendo Elizeth como símbolo); Momento Jacob (A relação do poeta com os músicos e instrumentistas); Momento Mário de Andrade (Os parceiros do poeta na luta pela preservação da brasilidade) e Momento Clementina (O poeta como descobridor de talentos). O final da festa foi estendida à rua com uma grande festa em plena Cinelândia.
Para abrilhantar ainda mais o evento, a noite também contou com a participação do grupo Anjos da Lua, da Escola Portátil de Música, da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, assim como do Teatro de Anônimo. A Banda que acompanhou o sarau foi formada por Paulão Sete Cordas, no violão de sete cordas, e na direção musical, Paulo Aragão no violão de seis cordas, Márcio Almeida no cavaquinho, Marcílio no bandolim, Eduardo Neves, nos sopros, Fernando Merlino ao piano e Celsinho Silva e Paulino na percussão.
Indicados:
Cantor - Emílio Santiago, Marcio Lott e Zé Renato; Cantora - Alaíde Costa, Alcione, e Nilse Carvalho; Grupo Musical - Arranco de Varsóvia, Pau Brasil e Toque de Prima; Compositor - Elton Medeiros; Itamar Assumpção e Nei Lopes; Arranjador - J. T. Meirelles; Leandro Braga e Maurício Carrilho; Trabalho Instrumental - Hamilton de Holanda; Hélio Delmiro e Zé Menezes; Produtor Artístico - Mario Adnet; Rildo Hora e Ruy Quaresma; Tributo – Capiba; Pedro Paulo Malta, Alfredo Del Penho e Pedro Miranda; Rosinha de Valença; Atitude - Orquestra Filarmônica de Viola; Vale dos Tambores e Zé Renato; Revelação - Edu Kneip; Fabiana Cozza e Roberta Sá; Embaixador - Naná Vasconcelos.
Os Premiados: Cantor - Emilio Santiago; Cantora - Alaíde Costa; Grupo Musical - Pau Brasil; Compositor - Elton; Arranjador - Leandro Braga; Trabalho Instrumental - Zé Menezes; Produtor Artístico - Mario Adnet; Tributo - Capiba; Atitude - Vale dos Tambores; Revelação - Roberta Sá; Embaixador - Naná Vasconcelos; Aval do Rival - Rita Ribeiro ; Nossa Excelência - Antonio Carlos Jobim; Aclamação - Nei Lopes; Grande Homenageado para 2006 - Aracy de Almeida.
5.
● No dia 08 de dezembro de 2006 aconteceu a entrega do 5º Prêmio Rival Petrobras de Música, no Teatro Rival Petrobras, no Centro da Cidade Maravilhosa. A partir das 19 horas a Rua Álvaro Alvim - Cinelândia foi tomada pela grande COMPANHIA BRASILEIRA DE MYSTERIOS E NOVIDADES. Com seu teatro de rua musicado, literalmente nas alturas (sobre pernas de pau) a Companhia se apresentou na calçada do Teatro Rival Petrobras, evocando os compositores que estiveram intensamente presentes na vida de Aracy, como Noel Rosa, Assis Valente, Ary Barroso, Ismael Silva e Lamartine Babo. Através de personagens do Rio Antigo e danças do imaginário brasileiro transitou entre o sagrado e o profano de nossa cultura.
A "Aparição de Nossa Senhora da Conceição", esquete circense inédito da Companhia foi encenado especialmente para o evento.
O GALOCANTÔ, grupo de roda de samba dos mais importantes na nova geração, cantou sambas do anos trinta, quarenta e cinqüenta, nos bares da Álvaro Alvim, criando um ambiente do tempo da Aracy de Almeida. Não só o repertório da Aracy foi mostrado, mas todos os sambas que marcaram estas décadas.
Ao final do espetáculo de premiação no Teatro Rival Petrobras, o público foi recebido pela banda do CORDÃO da BOLA PRETA, outro marco importante do cenário cultural da cidade nas referidas décadas, que com suas marchinhas encantou os presentes noite adentro, na grande celebração da Música Brasileira.
Indicados:
Cantor: Bebeto Castilho – Biscoito Fino – “Amendoeira”; Renato Braz – Biscoito Fino – “Por Toda a Minha Vida”; Tantinho da Mangueira – Selo Independente – “Tantinho, Memória em Verde e Rosa.” Cantora: Alaíde Costa – Lua Music – “Voz e Piano” ; Jussara Silveira – Maianga Discos – “Entre o Amor e o Mar/Nobreza”; Paula Santoro – Biscoito Fino “Paula Santoro”. Grupo Musical: Casuarina – Biscoito Fino – “Casuarina” ; Dona Zica – Elo Music – “Filme Brasileiro” ; Mombojó – Trama – “Homem Espuma”. Compositor: Aldir Blanc – Lua Music – “Vida Noturna”; Délcio Carvalho – Olho do Tempo – “Profissão compositor”; Luis Carlos da Vila – Musart Music – “Um Cantar a Vontade”. Arranjador: Gilson Peranzzetta – Biscoito Fino - “Casa Forte”; Laércio Freitas – Kuarup – “Remexendo”; Monique Aragão – Delira Música – “Suítes do Rio”. Grupo Instrumental: Hamilton de Holanda Quinteto – Biscoito Fino – “Brasilianos”; Galo Preto – Rob Digital – “30 anos” ; Os Matutos – Biscoito Fino – “Os Meninos de Cordeiro”. Instrumental Solo: Hamilton de Holanda – Biscoito Fino – “Brasilianos”; Luis Marcel Powel – Rob Digital – “Aperto de Mão”; Raul de Souza – Biscoito Fino – “Jazzmim”. Produtor Artístico: Marcelo Camelo e Kassin – Biscoito Fino – “Amendoeira”; Tim Rescala – Biscoito Fino – “Contos, Cantos e Acalantos”; Zé Renato Biscoito Fino – “Forró pras Crianças”. Tributo: Fátima Guedes – Rob Digital – “Outros Tons”; Maurício Tapajós – CPC Umes – “Sobras Repletas”; Zé da Velha e Silvério Pontes – Biscoito Fino – “Só Pixinguinha”. Atitude: José Mauro Brant – Biscoito Fino – “Contos, Cantos e Acalantos”; Moacir Luz; Tantinho da Mangueira – Selo Independente – “Tantinho, Memória em Verde e Rosa.” Excelência: Chico Buarque; João Donato; Olívia Hime. Embaixador da MPB: Cansei de Ser Sexy – CSS; Ivan Lins; Marcos Valle.
O show da premiação teve direção geral e roteiro de Tulio Feliciano e direção musical de Paulão Sete Cordas. A Banda que acompanhou o grande show de premiação foi formada por Paulão Sete Cordas, no violão de sete cordas; Fernando Merlino ao piano; Omar Cavalheiro no baixo acústico; Eduardo Neves nos sopros; Luciana Rabelo no cavaquinho e Celsinho Silva e Paulino na percussão.
Abaixo o roteiro musical do show de premiação e as intérpretes:
MART’NÁLIA
FILOSOFIA – Noel Rosa
PALPITE INFELIZ – Noel Rosa
ANA COSTA
VOCÊ É UM COLOSSO – Noel Rosa
RAPAZ FOLGADO – Noel Rosa
MARIANA BERNARDES
PELA DÉCIMA VEZ – Noel Rosa
SÉCULO DO PROGRESSO – Noel Rosa
NILZE CARVALHO
CONVERSA DE BOTEQUIM – Noel Rosa/Vadico
MANGUEIRA – Assis Valente / Zequinha Reis
ROBERTA SÁ
NÃO ME DIGA ADEUS - Luís Soberano/J. Correia da Silva / Paquito
FEITIÇO DA VILA – Noel Rosa / Vadico
THALMA DE FREITAS
NÃO TEM TRADUÇÃO – Noel Rosa
CAMISA AMARELA – Ary Barroso
OLÍVIA BYINGTON
MENINA FRICOTE – Marília Batista / Henrique Batista
QUANDO TU PASSAS POR MIM – Antonio Maria / Vinícius de Moraes
MARIANA BALTAR
FEZ BOBAGEM – Assis Valente
LOUCO – Wilson Batista / Henrique de Almeida
LEILA PINHEIRO
PRA QUE MENTIR – Noel Rosa / Vadico
TRÊS APITOS – Noel Rosa
DORINA
X DO PROBLEMA – Noel Rosa
ÚLTIMO DESEJO – Noel Rosa
POTPOURRI TODAS AS INTÉRPRETES
COM QUE ROUPA – Noel Rosa
O ORVALHO VEM CAINDO – Noel Rosa / Kid Pepe
COISAS NOSSAS – Noel Rosa
ARACY (Filme em Telão)
FEITIO DE ORAÇÃO – Noel Rosa / Vadico
TODAS JUNTAS
TENHA PENA DE MIM – Ciro de Souza / Babahu de Mangueira
Os Premiados – Cantor - Renato Braz; Cantora - Jussara Silveira; Grupo Musical - Casuarina; Compositor - Aldir Blanc; Arranjador - Laércio Freitas; Grupo Instrumental - Galo Preto; Instrumental Solo - Marcel Powell; Produtor Artístico - Marcelo Camelo e Kassin; Tributo - Zé da Velha e Silvério Pontes; Atitude - José Mário Brant; Revelação - Ana Costa; Excelência - Olívia Hime;
Embaixador MPB - Marcos Valle; Aval do Rival - Tantinho da Mangueira; Aclamação - Luis Carlos da Vila; Grande Homenageado - Antonio Adolfo.
A Homenageada - Aracy de Almeida, carioca, suburbana do Encantado. Apesar de filha de protestantes, sempre se encantou com o som do batuque da macumba que ouvia na infância. Nos anos trinta começa a sua vida de sambista. Num encontro com Noel Rosa na Taberna da Glória, foi inaugurada a maior parceria de um compositor e uma cantora de que se tem notícia até hoje. Dele, ela gravou quase toda a obra. Ou seja, a obra dos dois se confundiu.
Mas seguiu adiante: virou o samba em pessoa. Boêmia, conheceu profundamente todos os compositores de sua época, os “pilantras” como ela carinhosamente os classificava, com quem passava as noites nas mesas dos bares da cidade, tomando “umas e outras” e descobrindo pérolas da nossa música popular. De gosto requintado, fez-se amiga de grandes poetas e pintores: freqüentou Vinícius de Moraes, Antonio Maria e Di Cavalcanti.
Esta homenagem que o Prêmio Rival prestou à Aracy é também um tributo ao samba, por ter sido ela uma das maiores intérpretes deste universo sonoro que é a cara do Rio de Janeiro. Sua estrada, do Encantado à Lapa, de Vila Isabel à Copacabana, foi mostrada pelas vozes de dez novas grandes damas do samba. Aliás, o samba sempre teve grandes intérpretes femininas, tradição esta que parecia quebrada nos últimos anos, mas que ressurge com uma vibração infinita: de todos os pontos da cidade surge hoje uma nova sambista (com o mesmo sangue nas veias, como diria Cartola). E são elas que reviveram Aracy no palco do Rival. Ana Costa, Dorina, Mariana Baltar, Mariana Bernades, Mart’nália, Nilse Carvalho, Leila Pinheiro, Olívia Byington, Roberta Sá, Thalma de Freitas: ao contrário do que se supunha, o matriarcado continua no samba. Com a benção de Aracy.
6.
● O Prêmio Rival Petrobras de Música, em sua sexta versão, teve como homenageado o grande músico, compositor, arranjador e educador Antonio Adolfo. Por sua coragem e atitude, o disco independente tornou-se uma realidade no Brasil. O seu disco “Feito em Casa” (1977) foi o primeiro independente da nossa história fonográfica. Todas as facetas do mestre são mostradas nesta noite. Os convidados deste espetáculo mostraram as mais várias vertentes por onde atuou e atua este artista múltiplo.
Foi Carlos Lyra quem lhe levou para a profissão de músico, no célebre musical “Pobre Menina Rica” nos anos sessenta. Angela Ro-Ro, além de sua grande amiga, tem, com ele, uma sólida parceria de canções. Joyce, como ele, também foi pioneira no episódio do disco independente.
Mauro Senise representa o músico, aquele parceiro que com ele navega nas ondas instrumentais. Finalmente a continuidade: a filha, herdeira do seu talento, a grande e delicada cantora Carol Saboya.
Passaram pelo espetáculo algumas das famosas composições de Antonio Adolfo, além de belos arranjos feitos por ele para canções de outros compositores. Também foram apresentadas algumas músicas do seu cancioneiro infantil. Clássicos de Pixinguinha e João Pernambuco marcaram a sua virtuosa interpretação como pianista. Um pouco da longa história musical do artista foi contada no palco do Rival.
A partir das 19 horas a Rua Álvaro Alvim – Cinelândia foi tomada pela brilhante apresentação de banda composta por Ricardo Rito – teclado; Leo Bandeira – bateria; Pedro Mangia – baixo e André Dantas – Guitarra, cujos músicos participaram do Centro Musical Antonio Adolfo. O show na rua reuniu um grande público que, posteriormente, assistiu a premiação por meio de transmissão simultânea para telão instalado na Álvaro Alvim.
O show de premiação teve a Direção Geral e Roteiro de Tulio Feliciano e banda formada por Mauricio Maestro – Direção Musical e violão; Rômulo Duarte – contrabaixo; Eduardo Neves - sax e flauta; Fernando Merlino – piano; Ricardo Costa – bateria e Iura Ranevsky – cello. A apresentação do espetáculo foi feita pela atriz Leandra Leal e pelo ator João Miguel.
Relação dos Indicados por categoria
Na reunião do corpo de jurados foram apresentados, por cada um de seus membros, os trabalhos considerados de melhor qualidade em cada uma das diferentes categorias e após votação foram selecionados os três indicados ao prêmio por categoria. Assim, os indicados foram:
Cantor: Marcos Sacramento - Biscoito Fino – “Sacramentos”; Rodrigo Rodrigues – Dubas - “Fake Standards” ; Luiz Melodia – Biscoito Fino – “Estação Melodia”. Cantora: Mart’nália – Quitanda – “Mart’nália em Berlim - Ao Vivo”; Olivia Byington - Biscoito Fino – “Olivia Byington”; Roberta Sá – MPB Discos - “Que belo estranho dia para se ter alegria”. Grupo Musical: Casuarina - Biscoito Fino – “Certidão”; Quinteto Vila-Lobos – selo Rádio MEC – “Quintetos de sopro brasileiros 1926.1974 Vol. I e II”; Spok Frevo Orquestra - Biscoito Fino – “Passo de Anjo Ao Vivo”. Compositor: Arlindo Cruz – Deck Disc – “Sambista Perfeito”; Délcio Carvalho - selo Rádio MEC – “Inédito e Eterno”; Guinga - Biscoito Fino – “Casa de Villa”. Arranjador: Paulão 7 Cordas – Biscoito Fino - “conjunto da obra”; Spok - Biscoito Fino - “Spok Frevo Orquestra – Passo de Anjo Ao Vivo”; Zé Menezes - ABZ Digital – “Autoral/ Gafieira Carioca”. Produtor Musical: André Agra - Sala de Som Records – “conjunto da obra”; Kassin - Ping Pong – “Futurismo”; Ronaldo Bastos e Leonel Pereda – Dubas Música – “conjunto da obra”. Instrumental: Hamilton de Holanda e André Mehmari – Deck Disc – “Contínua Amizade”; João Donato e Bud Shank - Biscoito Fino – “Uma tarde com João Donato e Bud Shank”; Zé Menezes - ABZ Digital – “Autoral/ Gafieira Carioca”. Raízes do Brasil:
Mário de Andrade – SESC SP – “Missão de Pesquisas Folclóricas”; Deck Disc - “Uma História do Choro” ; Meninas de Sinhá - Mais Brasil Música – “Tá Caindo Fulo”. Revelação: Fino Coletivo – Dubas Música – “Fino Coletivo”; Thaís Gulin - Rob Digital – “Thaís Gulin”; Zé Luiz do Império Serrano - Selo Pôr do Som – “Malandros Maneiros”. Melhor CD: Déo Rian & Noites Cariocas – Rob Digital – “Inéditos de Jacob do Bandolim – volume II ”; Guinga - Biscoito Fino – “Casa de Villa”; Luiz Melodia – Biscoito Fino – “Estação Melodia”. Tributo: Novo Quinteto - Rob Digital – “Radamés Gnattali – 100 anos”; “Viva Cartola! 100 Anos” - Biscoito Fino; Wagner Tiso – Dubas Música – “Wagner Tiso 60 anos – Um Som Imaginário”. Atitude: Marcelinho da Lua - Deck disc – “Social”; Meninas de Sinhá - Mais Brasil Música – “Tá Caindo Fulo”; “Sassaricando e o Rio inventou a marchinha” - Biscoito Fino / SescRio.Som . Absolutamente Independente: Orquestra à base de corda convida Roberto Corrêa – “Antiqüera” ; Délcio Carvalho “Inédito e Eterno”; Turíbio Santos e Sílvio Barbato – “Violão Sinfônico”. Excelência: Baden Powell; Francis Hime; Maria Bethânia.
Roteiro do Show
Carol Saboya
TELETEMA – Antonio Adolfo/Tibério Gaspar
A ESTRADA DO SERTÃO – João Pernambuco/Hermínio Bello de Carvalho
Mauro Senise
TUDO MENOR – Antonio Adolfo
PARTIDO LEVE – Antonio Adolfo
Angela Ro-Ro
CHANCE DE AMAR – Antonio Adolfo/Angela Ro-Ro
SIMPLES CARINHO – João Donato/Abel Silva
Joyce
NATUREZA – Antonio Adolfo/Xico Chaves
TARDES CARIOCAS – Joyce
Antonio Adolfo e Joyce
ACALANTO – Antonio Adolfo
Antonio Adolfo e Carol Saboya
ESSA MULHER – Joyce/Ana Terra
Antonio Adolfo e Angela Ro-Ro
SE VOCÊ VOLTAR – Antonio Adolfo/Angela Ro-Ro
Antonio Adolfo e Mauro Senise
1x0 – Pixinguinha/Benedito Lacerda
Antonio Adolfo e Carlos Lyra
SABE VOCÊ – Carlos Lyra/Vinícius de Moraes
PRIMAVERA – Carlos Lyra/Vinícius de Moraes
Todos
SÁ MARINA – Antonio Adolfo/Tibério Gaspar
Os Premiados – Cantor - Luiz Melodia – Biscoito Fino – “Estação Melodia”; Cantora - Roberta Sá – MPB Discos - “Que belo estranho dia para se ter alegria”; Grupo Musical - Quinteto Vila-Lobos – selo Rádio MEC – “Quintetos de sopro brasileiros 1926.1974 Vol. I e II”;
Compositor - Arlindo Cruz – Deck Disc – “Sambista Perfeito”; Arranjador - Paulão 7 Cordas – Biscoito Fino - “conjunto da obra”;
Produtor Musical - Ronaldo Bastos e Leonel Pereda – Dubas Música – “conjunto da obra”; Instrumental - Hamilton de Holanda e André Mehmari – Deck Disc – “Contínua Amizade”; Raízes do Brasil - Mário de Andrade – SESC SP – “Missão de Pesquisas Folclóricas”;
Revelação - Fino Coletivo – Dubas Música – “Fino Coletivo”; Melhor CD - Déo Rian & Noites Cariocas – Rob Digital – “Inéditos de Jacob do Bandolim – volume II”; Tributo - Wagner Tiso – Dubas Música – “Wagner Tiso 60 anos – Um Som Imaginárioa”; Atitude - Vários – Biscoito Fino / SescRio.Som – “Sassaricando e o Rio inventou a marchinha”; Absolutamente Independente - Délcio Carvalho “Inédito e Eterno”; Excelência - Baden Powell; Aclamação – Mart’nália – Quitanda – “Mart’nália em Berlim - Ao Vivo” e Aval do Rival - Meninas de Sinhá - Mais Brasil Música – “Tá Caindo Fulo”. O Grande Homenageado - Antonio Adolfo.
O Homenageado
Filho de uma violinista da Orquestra do Teatro Municipal do Rio, carioca de Santa Teresa, aquariano da classe de 47, o pianista Adolfo aos 16 anos já pertencia ao fechado clube da bossa-nova acantonado no Beco das Garrafas, à frente de grupos como o Samba a Cinco e o Trio 3-D. No último, ele participou da peça musical Pobre Menina Rica, de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes, e começou a acompanhar ases do setor. Mas a partir de 1967, em dupla com o letrista Tibério Gaspar, Antonio Adolfo, o compositor, produziu sucessos como Sá Marina e Juliana.
Ao mesmo tempo, a frente do grupo Brazuca, instaurou um tônus de modernidade eletrônica no pop da época (Teletema, Ana Cristina) até desaguar na autopista abrasiva da BR-3, que causou polêmica e sacudiu as estruturas dos grandes festivais da época. Integrante da banda que acompanhou Elis Regina em duas excursões à Europa, um estágio com a erudita Nadia Boulanger, em Paris (além dos aperfeiçoamentos com os brasileiros Guerra Peixe e Esther Scliar), Antonio Adolfo estava pronto para mais um grande salto.
Em 77, num ato de coragem e pioneirismo, lançava o disco Feito em casa em seu próprio selo Artezanal. Era o pontapé inicial de uma tendência libertária, a do disco independente, que motivaria o aparecimento de artistas divergentes das leis do mercado tradicional.
Adolfo gravou neste sistema tanto material próprio (até música para crianças, a peça Astro Folias e Passa passa passará), quanto promoveu revisões de Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga.
Desde 1985, Adolfo vem se dedicando a sua escola de música, o Centro Musical Antonio Adolfo, além de participar em eventos internacionais como músico e educador, sem deixar de lado sua carreira como intérprete.
Como autor de material didático, lançou no Brasil sete livros pela editora Lumiar, além de um video-aula e dois livros sobre música brasileira no exterior. Durante oito anos foi o representante do IAJE (International Association For jazz Education) para a América Latina.
Recentemente, Antonio Adolfo voltou a se apresentar com mais freqüência em shows, seja em formato piano solo ou em grupo. De uma de suas apresentações com a filha Carol Saboya, em uma Universidade dos Estados Unidos nasceu seu mais recente trabalho em CD, lançado no Brasil e no Exterior: Antonio Adolfo & Carol Saboya Ao vivo/Live.